domingo, março 04, 2007

Tô de blog novo!

Esse blog já era. Meu endereço agora é: www.crissimon.wordpress.com

Visitem-me por lá!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007


To indo. Férias [!!!], já aviso. Pra não pensarem que abandonei isso aqui. Não façam dessa página a casa da mãe Joana. Entrem, abram as janelas, se joguem nas almofadas, fiquem à vontade. Mas não troquem nada de lugar. Vou estar além, em terras alheias e com vento na cabeça. Quando eu voltar, grito bem alto e faço aquela redação "Como foram minhas férias".

Digam a minha mãe para ela não se preocupar. Avisem a minha irmã que a chave do apartamento ficou embaixo do tapete, e que eu molhei as plantas antes de sair.

Até!

: )

sexta-feira, fevereiro 16, 2007


Esse é de 62. Tem outra versão do filme, feita em 1998, muito bonitinha.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

...E foi isso. Encontrei o presente no chão, quando abri a porta, na manhã do meu aniversário de 14 anos. Faz um tempo, já. Era uma caixa vermelha. Convidativa. Dentro dela, um calendário de 2010, março, 23 circulado. Do lado do calendário, meu disco preferido, a chave pra porta que não conheço, e um cartão em branco. Continua em branco, por sinal. E bem guardado. A cor vermelha da caixa já desbotou. A chave permanece não fazendo sentido. E 2010 é logo ali.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Surge de improviso
em meio a um silêncio vulgar
rompe dissonante a leveza do tempo
a cada nota imprecisa
até quando, por fim
já não há mais tom
harmonia
sentido
música
.


Essas frases não saíram da minha boca, nem da ponta dos meus dedos. Bem que eu queria ter escrito, mas não são minhas. Ganhei da minha amiga Cris(tina). Achei bonito.

* To com pena de deixar essa página às moscas. Meu novo blog está quase pronto. Branquinho, branquinho, e com umas pitadas de vermelho, que to viva e quero cor. Já importei todos os posts daqui pra lá, e falta agora editar a barra lateral (tá dando um trabalhão). Acho que antes de sair de férias, e isso quer dizer menos de uma semana, já me mudo de mala e cuia pra lá. Espero.

Além disso, chega de Caos. Lá terei só o Usina mesmo.

sábado, fevereiro 10, 2007

Em um texto publicado na década de 1980, a princípio intitulada Dois ou Três Almoços, Uns Silêncios e, mais tarde, Pequenas Epifanias, o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu fez uma reflexão sobre o encontro de duas almas, aquele instante mágico em que seu caminho se cruza com o caminho de um outro que, independentemente da idade, classe social ou gênero, o reconhece como alguém especial, entende seus desejos e temores mais íntimos e lhe oferece uma possibilidade de partilha. A esse tipo de encontro, o autor dá o nome de "pequena epifania" e assim o explica:

"Era assim - aquela outra vida inesperadamente misturada a minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania".

E continua:

"Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos se armavam de outro jeito, fazendo sentido".

* Início de uma resenha da Bravo desse mês sobre Eu, Você e Todos Nós, da Miranda July. A autora do texto usou partes da crônica de Caio Fernando Abreu pra descrever um pouco do universo do filme. Uma feliz combinação.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Faz tempo que não escrevo poemas. Me lembrei disso ontem, na fila do banco. Nem tinha tanta gente, e eu olhava pro chão. Era só um depósito, numa tarde vazia de coisas pra se fazer. Geralmente escrevo poemas de madrugada. E nem é que não tenho ficado acordada durante as madrugadas. Nada mudou. Mas mudou. Porque eu não tenho sentido vontade de escrever palavras queridinhas, nem nada que possa parecer muito doce. Não ando me enxergando como uma pessoa de muitas doçuras. Mas isso não é ruim. Não estou dizendo que é. Só não me vem naturalmente a delicadeza pra escrever um texto pé na lua. Daí penso que um poema não precisa ser eu, e caio em contradição. Um blog não precisa ser eu, e caio novamente em contradição, porque tenho muita coisa pra falar. Muita mesmo. Talvez eu fale, talvez eu encha isso aqui de sentidos. Prefiro, por sinal. Sentido dá uma idéia multifacetada de tato, de cheiros, de sentido na pele. E também não me importa o que vão dizer. Os textos que eu quero que sejam entendidos em linha reta, eu escrevo em linha reta. Os textos a que eu quiser dar múltiplos sentidos, usarei metáforas. E entenda-os como quiser, viu? Te dei liberdade pra isso. Tenho aqui uma mistura meio difícil de dissociar. Uma fome de jornalismo literário, e de literatura. Geralmente pendendo mais ao subjetivismo. Uma vontade de contar sobre o tempo. O meu e o de tanta gente que passa pela minha cabeça. E o tempo que acho escondido pelos cantos da casa. As palavras aqui falam das coisas. Só isso. Se elas passaram por mim, ou cruzaram o caminho de quem quer que seja, não interessa. Elas contam coisas, reais ou imaginárias. Se daqui a alguns minutos as frases aqui parecerem desbotadas, pouco importa. Minha necessidade é de escrever.

Já começou


Estou em débito com o cinema. Faz tempo que não entravam em cartaz tantos filmes bons ao mesmo tempo. Pretendo resolver isso a partir de sábado. Vou começar por A Vida Secreta das Palavras, que já espero estrear aqui há um tempão. Já vi Minha vida sem mim, da Isabel Coixet, também com a Sarah Polley protagonizando, e gostei muito. Incrível a maneira como ela consegue lidar com temas delicados com tanta sensibilidade. O elenco tem, além da Sarah Polley, Tim Robbins (Sobre Meninos e Lobos), Javier Camara (Fale com Ela, do Almodóvar, que inclusive, está co-produzindo o filme de Coixet), Leonor Watling e Julie Christie. A trilha é cativante: tem Antony and The Johnsons, com "Hope There's Someone". Depois conto o que achei.

Tem Scoop, filme novo do Woody Allen, de novo com a Scarlett Johansson no papel principal, Pecados Íntimos, que concorre ao Oscar em três categorias, Perfume (esse desconfio que já perdi. Pelo menos no Guion Center não está mais em cartaz)... À Procura da Felicidade entrou em cartaz hoje e Will Smith recebeu indicação ao Oscar de melhor ator. Eu vi o trailer e me deu vontade de chorar. Parece um filme triste (e eu choro mesmo em cenas tristes. Até tento disfarçar, mas não convenço).

Completando, tem ainda Borat, com pré-estréia hoje. A Rainha recebeu 6 indicações ao Oscar e está entrando em cartaz hoje também.

Muita coisa. Certo é que não vou conseguir ver todos os que quero. Nunca consigo. Mas pelo menos espero ver a maioria no cinema. Isso que não citei todos. Alguns já perdi. O Labirinto do Fauno queria ter visto e talvez ainda dê tempo. Na Casa de Cultura ainda está passando. Mais estranho que a Ficção também não vi ainda...

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Previsão do Tempo: sol até o final da semana : (

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Vi Donnie Darko no domingo. Já tinham me falado desse filme e eu sempre me esquecia dele. Sábado cheguei na locadora sem indecisão, pelo menos, e de boa memória. Pra variar, peguei dois filmes (o outro foi Veludo Azul, do Lynch, que por sinal, vou devolver atrasado porque só fui assistir ontem).

Donnie Darko é antiguinho, de 2001. O protagonista é Jake Gyllenhaal, de Brokeback Mountain, mas bem novo ainda. Na real vou ter de assistir mais vezes. É um desses filmes de várias teorias. Andei discutindo com amigos e vejo que cada um tem uma idéia diferente, com alguns pontos de intersecção. O filme lida com viagem no tempo e no espaço (distúrbio mental?), realidade x ficção, sensibilidade, corruptelas e falhas na linha temporal. Ainda mexe com a hipótese da existência do Buraco de Verme (wormhole), ou seja, um túnel no tempo/espaço. Efeito Borboleta entra na história? Me pareceu que sim (várias teorias). E ainda tem espaço pra romantismo. Já li por aí que é basicamente um filme de terror para adolescentes. Meio simplista essa denominação, eu diria. Embora o filme toque um pouco em conflitos da adolescência, o sexo sublimado, alguns assuntos ali têm uma proporção bem maior. O mundo de um adolescente x o MUNDO, UNIVERSO.

Seguindo o filme busquei a trilha. O filme abre com The Killing Moon, do Echo and the Bunnymen, tem também Tears for Fears, Joy Division, INXS, The Cure, e Mad World (Gary Jules), pra fechar. Sim, é total anos 80.


Donnie: Why do you wear that stupid bunny suit?
Frank: Why are you wearing that stupid man suit?

With an envelope, We'll enter buildings we might touch,
I've got souvenirs but yesterday can't mean too much,
Have we missed an opportunity?

Whispers Chinese leaves a message, leaves a metaphor,
For what once was gold and once was rich and now is poor,
Have we missed an opportunity?
And the trees lean to lend,
Can I fold you in fourteen ways to depend not defend?
Souvenirs
Architecture in Helsinki
Se enxergavam em tudo que é lugar. E um olhava pro outro dos pés à cabeça, assim, bem como quem olha produto vencido na geladeira. Mantinham uma distância saudável e despercebida. Sem pretensão. Ela era uma patricinha metida a indie. Ele, um indie desinformado do resto. Ela, All Star limpo. Ele, quanto mais sujo, melhor.

Um dia se encontraram na parada de ônibus. Ela ficou sem ficha. Ele emprestou uma. "Acontece". Ela disse que devolveria. Ele disse que não precisava. Ela disse que fazia questão. Não pegaram o mesmo ônibus, mas dias depois ela devolveu a ficha. Bem Eduardo e Mônica.
.

[!] Féérias! Eu estou mesmo em contagem regressiva, porque elas estão chegando.
[!!] Ontem comecei a organizar o blog novo. Provavelmente vai ser branco. Ainda estou testando os templates. Engraçado é que já vou ficando com saudades desse fundo preto daqui. Engraçado, só.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Frase do dia


Reveja alguns conceitos
[Im] perfeita para uma noite de chuva.

This is what you get, this is what you get
This is what you get, when you mess with us
And for a minute there, I lost myself, I lost myself
And for a minute there, I lost myself, I lost myself
Radiohead


Daí vem a minha mãe e me diz pra dormir.
Ôooo, mãezinha, se eu dormir, deixo de ver a chuva. Se não dormir, a chuva pára, e eu não aproveitei pra dormir com ela.

[?]

Falando em prazeres, eu não resisto a um novo link. Nem deveria. Até acho que já tinha o Dead Air Space na coluna de música, mas devo ter apagado na limpa que eu fiz nos links semana passada. Sou daquelas pessoas que guarda de tudo, sabe? E tem sempre uma gaveta de coisinhas que um dia pode querer ler, reler, ou ver, ou pode precisar (nunca se sabe). Até que num súbito minuto de praticidade/racionalidade resolve fazer uma limpeza e joga tudo fora. O momento em que eu limpei os links foi um desses. A gaveta, vou deixando.

Na última vez em que eu a abri, encontrei o bilhete do primeiro filme que eu vi no cinema. Isso foi um marco! É óbvio que devo guardar. Daí fui achando mais coisas e quando vejo o minuto de praticidade passou e acabo jogando fora só as notas de supermercado mesmo.

sábado, fevereiro 03, 2007

Sobre a Cinemateca Paulo Amorim

Na quinta-feira entrevistei pra rádio da UFRGS o Luiz Pighini, diretor das salas de cinema da Casa de Cultura. Ele falou sobre a crise que a Cinemateca Paulo Amorim tem enfrentado depois que o Instituto Moreira Salles, braço cultural do Unibanco, suspendeu o apoio financeiro. O patrocínio acontecia desde 1996; era de em torno de 11 mil reais por mês. O restante da renda vem da bilheteria das sessões. Em dezembro o Unibanco contribuiu pela última vez, sendo que a Casa de Cultura só recebeu o aviso da suspensão do patrocínio um mês antes. Não bastasse o fim de ano ser um período complicado, também era época de transição no governo Estadual.

A causa da retirada do patrocínio é óbvia, apesar de não ter sido esclarecida pelo Instituto. O Unibanco é dono dos espaços Arteplex em várias capitais do país, e a perspectiva é de crescimento. Embora a Casa de Cultura tenha uma proposta que geralmente não atrai o mesmo público que o Unibanco Arteplex, ela é uma concorrente. Nos últimos tempos até, a programação de lá tem incluído mais filmes comerciais e talvez isso sirva como um indicativo da dependência que a Cinemateca tem do dinheiro que vem da bilheteria (eles têm apenas duas fontes de renda: o patrocínio, que agora foi retirado, e a bilheteria).

Um abaixo-assinado que ficou na porta da Sala Eduardo Hirtz recolheu cerca de 4 mil assinaturas. Foi entregue na semana passada à Secretaria de Cultura, e por enquanto, nada foi definido. Apoios isolados também vieram de gente como a advogada Denise Argemi, que vai contribuir até abril com mil reais do próprio bolso.

A Casa de Cultura, por enquanto, está com as três salas abertas graças à bilheteria. Uma programação atraente ajudou bastante, e agora, com a entrada em cartaz dos filmes indicados ao Oscar, a renda vinda dos ingressos não deve cair. O problema maior, de acordo Pighini, vai começar em março. Até fim de fevereiro, o funcionamento das salas está garantido.

Se as salas de cinema fecharem, o que acontece é que a Casa de Cultura fica sem um grande pólo de atração. Um espaço amplo vai ficar sem aproveitamento, e a cidade perde muito. Porto Alegre tem uma tradição de ter ainda espaços de cinema fora dos shoppings, com filmes muitas vezes raros, e vai perder junto com a Cinemateca parte da história do cinema no Estado. Foi ali que trabalhou de 90 a 96 (ano em que faleceu) Romeu Grimaldi, antigo programador dos cinemas Vogue e Bristol (esse ficava no mezanino do antigo Baltimore, na Osvaldo Aranha. O prédio foi demolido e agora, no lugar, existe um estacionamento). Grimaldi tinha um conhecimento enorme em filmografias. Ele fazia mostras internacionais (filmes chineses, franceses...), relançamentos de clássicos... Foi responsável pela formação de boa parte de uma geração de cinéfilos e de cineastas como Jorge Furtado e Carlos Gerbase.

Enfim, me alongo, perco o foco da discussão, que é o problema da CCMQ. Mas acho que tudo se mistura mesmo. Se a Cinemateca Paulo Amorim não fizesse parte tão importante pra cultura em Porto Alegre, não faria sentido todo o esforço que está sendo feito pra mantê-la em funcionamento.

A entrevista com Luiz Pighini vai ao ar na Rádio da Universidade na segunda-feira (05), a partir das 18h05min, no programa Universidade Revista.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Ordem na casa

Há um tempão o Bruno me encaminhou o link do Last.fm. Dei uma olhada, e não chamou muito a minha atenção. Ficou na caixa de entrada, o e-mail, e acabei deletando. É uma página parecida com o orkut, dizia ele, mas é voltada pra música. Boa pra descobrir coisas novas e conhecer um pouco mais das bandas de que tu já gosta. Alguns dias atrás a Cris também me veio com a página. Cheguei em casa e comecei a mexer nela. E não é que é prática? Muito prática, por sinal. Acabei de fazer uma limpa nos meus links ali do lado. Tirei todas as páginas de bandas, até porque pelas páginas não dava pra ouvir muito. No lugar, dei o link pro Last.fm. O que eu gosto tá ali. Deixei o Pandora, que é fantástico pra conhecer bandas novas, o radio.blog, que tem uma variedade grande, e vale muito acessar. O Blogmusik tem uma lista musical boa, por ordem alfabética. O problema é que muitas das músicas sugeridas acabam não tocando, ou demoram demais pra começar a tocar. Allmusic e Myspace são bons pra saber as influências dos artistas, relações entre eles, quem saiu de que banda e fundou qual. Quem já teve trabalho solo. Eu adoro. AccuRadio deixei na lista, mas acesso lá de vez em quando. Foi ficando pra trás porque repete demais as músicas. A seleção é automática, mas também não é lá essas coisas.

Subi toda a parte de cinema. Cinema não tem que ficar por último. Sempre vai ser uma das minhas primeiras opções. Não tenho dúvidas de que quero trabalhar com isso. Com o tempo vou colocar uma parte só de literatura ali do lado também. Hoje não vai mais dar tempo. Mas acho que já deu pra botar um pouco de ordem na casa. Estou tentando conhecer melhor o Wordpress. Os layouts são melhores e logo que eu conseguir montar a página lá, e deixar arrumadinha, transfiro tudo pra lá. Vou de mala e cuia.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

"Tem filme que é pra entender na hora. Tem filme que é pra entender depois. E tem filme que é pra nunca esquecer. A nostalgia é um enigma".

Carlos Gerbase
Trechos de O Bristol (1995)

segunda-feira, janeiro 29, 2007


A lista só aumenta. Pelo menos plantar uma árvore já plantei. Se achei que poderia morrer tendo antes um filho, escrevendo um livro, e visitanto Paris, agora tenho também a lista de filmes pra ver.

Aqui, o blog do livro.

Sim, me rendi às listas.


Porque as palavras fogem, ou agora são longas demais. Ou porque não quero dizê-las nesse momento. E a música é bonita; terá o mesmo efeito.

sábado, janeiro 27, 2007

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Links novos:

A nova morada da Fê continua sendo exquisioTeorias, mas tá mais charmosa.

Speakorama, uma miscelânea. Segundo eles, da página, "o conteúdo da revista tá aí: news, reviews, opinião, comportamento, ficção, o que vier e não ficar apertado no pé, entra. Sem censura."

Retalho de uma hora

Era de um branco tão branco que os olhos arderam, sentiram que a visão tinha limites pra enxergar. Tinha pontos vermelhos. E eram múltiplos de sete. Todos eles. Não. Minto. Acho que um era maior, e estava no centro. Oco. Exatamente do meu tamanho. Mas tenho certeza de que eram todos quadrados. E tinham em uma das faces figuras geométricas, completas ou não. Começavam e não terminavam. Provavelmente daria pra ver alguns pontos de sujeira, se eu tivesse olhado com mais atenção. Mas preferi deixar o branco, só branco. Não poluir, talvez isso. Deixei o olhar correr solto, sem fixar um ponto específico por muito tempo. O objetivo era um detalhamento menor. Ver as coisas na imensidão que existe nelas mesmo. Sem fechar, sem foco nenhum. Era assim, não? que deveria ser. Não ver uma parede branca, só no concreto e na tinta que encobre ela, porque eu não sei ver só o que posso tocar. Branco na passagem do tempo também. E nas horas rápidas. que paralisassem, elas! Era a sala dos sete selos, na tarde das sete vontades. Vermelhas, todas. E escondidas. Me perdi.

No avesso, as palavras

"Varais tremulam um confortável cheiro branco do alto dos prédios de apartamento da cidade. Crianças vestindo bonés mal encaixados na cabeça montam suas bicicletas nas calçadas de paralelepípedos. A TARDE PASSA SEM QUERER. A maldade dos namorados enganchados em seus jeans ainda dorme. Ao fundo, harmonias dissonantes surgem em fade in. Segue-se uma batida duramente gingada. Entra uma melodia simpática, e SE OUVEM PALAVRAS SIMPLES. A poesia fácil de varal. Toma conta do céu como se fosse nuvem brava, mas não mostra os dentes. Nas paradas de ônibus, as bocas cansadas da espera repetem o que ouvem num sussurro involuntário. O OLHO MORTO EM ALGUM PONTO QUE NÃO EXISTE percebe a passagem periférica do bando atravessando a rua. É um bando mulambo-chique desaforado e tímido. Tocam sua música e enganam que se preocupam apenas com ela. Mas bem querem que ela encharque o concreto e grude no asfalto pra nunca mais sair. Querem que o mundo tome de volta o filho que ainda não sabe que gerou. Não são órfãos nem pretendem ser pais. Só fazem o barulho que precisam fazer para que os outros ouçam o barulho que precisam escutar...


...E eu ouço eles chegarem com a seriedade com que ouço um conselho furado de quem já me salvou a pele. E sinto saudade de alguma coisa que eu ainda jamais vivi. Tudo só isso."

segunda-feira, janeiro 15, 2007


É um estranho sentimento de inércia
Cabeça de vento

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Na pele enrugada
Era um viajante aborrecido
Quanto mais lugares conhecia
Mas a barba crescia
Tinha uma agenda toda rabiscada
De passado, caminhos e cachoeiras
E datas supérfluas no canto esquerdo das folhas
Desenhava ponteiros com a ponta do dedo
Eis a minha próxima direção

Panela, caneca, faz fogo sem fogão
Campainha, carta e televisão

Eu não volto, já tinha dito.
Volto, não

segunda-feira, janeiro 08, 2007

London Calling

A FêCris conta no blog dela um pouco das suas aventuras na capital inglesa. Festas, calça jeans, blusinha branca, incidentes bizarros, experiências antropológicas e tudo mais...
Tem uma linha imaginária aqui.
+++ Ouço porque são cínicos:

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Eles são eu, você e todos que conhecemos


Bons diálogos, bons atores e muita criatividade fazem um bom filme. Essa é minha opinião. Assisti ontem a Me and You and Everyone We Know, da Miranda July, e o filme definitivamente me ganhou. Não só pelos diálogos maravilhosos mas pela multiplicidade de temas que aborda e pela delicadeza com que o faz.

Lá pela metade do filme, Christine (Miranda July) encontra Richard (John Hawkes) na saída da loja em que ele trabalha. Na verdade não "encontra", simplesmente. Ela vê ele ir em direção à porta e vai atrás. Quando consegue alcançá-lo, os dois começam a travar um diálogo completamente metafórico. Parece que cada olhar, pausa, silêncio, cada gesto dos dois age como personagem do filme nessa hora.

Christine: Eu não estou seguindo você. Estacionei meu carro para lá.

Richard: No smart Park?

Christine: Não, no Front Street

Richard: O meu ficou no Smart Park.

Christine: Então, no final da próxima quadra vamos nos separar. Na Tyrone Street.

Richard: Aquela placa é na metade do caminho. Bem na metade do caminho.

Christine (sorrindo): Tipo aquele ponto num relacionamento em que você se dá conta de que não vai ser pra sempre...

Christine: ...E já avista o final. A Tyrone Street.

Richard: Mas nós nem chegamos lá ainda.


...
Richard: Ainda estamos na parte boa. Nem estamos cheios um do outro ainda.

Risadas...

Christine: Eu não estou nem um pouco cheia de você. E olha que já faz, tipo, seis meses, não?

Richard: Seis meses? Então a placa é o marco dos oito meses? Só vamos ficar um ano e meio juntos?

Christine: Sei lá. Eu não quis parecer presunçosa. Nem sei se você é casado...

Richard: Não sou.

Richard: Bom... Sou separado. Nos separamos mês passado.
...
Richard: Eu estava pensando na Tyrone... daqui a vinte anos, pelo menos.

Christine: Ah, é?

Richard: É...

Christine: Na verdade, a Tyrone, pra mim,, era nós dois morrendo de velhice. Teria sido uma vida inteira juntos. Essa quadra.

Richard: Perfeito. Vamos considerar assim.

Depois disso, os dois ficam sem assunto. Apenas continuam caminhando lado a lado num silêncio constrangedor, em direção ao fim da rua. Chegando à esquina, uma placa de trânsito é filmada de relance: "STOP". Obviamente a placa não foi filmada por acaso. Nessa hora ela vira coadjuvante na cena. É simbólica e entra em equilíbrio com os outros elementos e a falta de palavras dos personagens. Eles páram ao lado da placa. Christine olha para Richard, sorri, inocentemente...

Christine: Bem, não dá pra evitar, todo mundo morre.

Richard: Posso acompanhar você até seu carro?

Christine: Talvez a gente deva se dar por satisfeito por ter tido esta vida juntos. É bem mais do que a maioria das pessoas consegue.

Richard: Certo.

Christine: Certo...

Christine: Bem, não tenha medo.

Richard: Tá...

Os dois sorriem

Christine: Vamos lá.

Richard: Vamos lá.

Eles então caminham para lados opostos. Ela olha pra trás...

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Pé direito

Aproveito pra parabenizar o Juliano. O curta dele, "Coisas de Casais – I. Aniversário de Casamento", foi selecionado pra 6ª Mostra do Filme Livre, no Rio de Janeiro. Boa Sorte!

Funcionou

Nem precisei repetir muito o refrão. Chove em Porto Alegre. Muito. A primeira chuva de 2007 é de arrasar quarteirão. Abrindo toda a casa já, pra deixar a brisa entrar.
Vontade de repetir o refrão até espantar o calor que faz em Porto Alegre. E a retrospectiva do ano que passou fica pra depois... Não to com tempo de sobra nem com muito saco pra falar disso agora. Quero é celebrar 2007, que o ano começou bem e vai dar trabalho. Muita informação, pouco tempo pra postar e ainda nem comprei agenda. Mais adrenalina e menos cafeína, por enquanto (o freio na cafeína está na lista de promessas pra 2007, mas tá difícil cumprir).

Let’s pretend we don’t exist
Let’s pretend we’re in Antartica
Let’s have bizarre celebrations
Lets forget when forget what forget how

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Que venha 2007!!!!
Enfim... caramba... deixa eu balançar a cabeça pra pensar um pouco melhor, que eu já to meio perdida nesses últimos dias! Não sei se empurro o que falta fazer pro próximo ano, ou se me puxo pra deixar tudo em dia. Não me estresso. Daqui a pouco amanhece. Deixa vir o dia quase acabando, e a música velha soar como nova.

Só volto aqui depois da virada do ano. Espero, portanto, que todos tenham uma ótima festa, que comecem o ano com o pé direito e com os melhores pensamentos e sentimentos. Que 2007 seja uma gargalhada arteira/artéria/pulso, o que vier!
Até!
PS. Escrever isso ouvindo na rádio Astronauta de Mármore definitivamente tem cara de fim de ano. Não era mais o mesmo mas estava em seu lugar.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Cinema e preservação: make a movie that matters!


O NUFF Global (Nordic Youth Film Festival) é um evento que procura unir realizações cinematográficas a causas políticas e sociais. O projeto, com foco inicial em problemas na região nórdica, expandiu-se. Agora é GLOBAL.

Nesse ano, o concurso teve uma categoria que premiou roteiros sobre alterações climáticas em todo o mundo. Entre os 16 vencedores, a jornalista Carolina Berger, de Santa Maria (RS) foi a única da América Latina a levar os 5 mil dólares para produzir o filme. A idéia de Carolina é rodar um documentário sobre o processo de desertificação no oeste do Rio Grande do Sul. Isso será retratado a partir de uma família de produtores rurais da região. Segundo o regulamento, o filme deve ter, no máximo, 15 minutos e estar pronto para apresentação entre os dias 1º e 10 de junho de 2007 em Tromso, na Noruega, onde acontecerá o festival.

Em Santa Maria, o documentário foi inscrito na Lei de Incentivo à Cultura (LIC), que está avaliando os projetos a serem aprovados para 2007.

* Um pouco mais sobre o NUFF

* E falando nisso:
Segundo relatório da ONU, a ser apresentado oficialmente em 2007, os efeitos das alterações climáticas podem durar séculos, mesmo que as emissões de gases com efeito estufa fossem eliminadas hoje. Parte do sobre-aquecimento global já não pode mais ser evitado. Mais aqui.

The Kiss


"If I told you a secret
You won't tell a soul
Will you hold it
and Keep it alive?"

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Laiááá, laiááá, laiáááá

Que fiz? Que fará? Que faremos? Que farei...

Tenho um olhar desconfiado pra dezembro no calendário. Acho um mês muito ansioso, pelo menos pra mim. Passa muito rápido. E outra. Quase ninguém vive em dezembro. Todos já estão pensando em janeiro, no ano-novo, todos compram presentes pra se preparar pro natal, que é quase o ano-que-vem, todos compram passagens pra programar as férias de janeiro. Todos correm demais. Ninguém vive pra dezembro.

Ontem mesmo, de noite, eu estava voltando de viagem. Não gosto muito de dormir em viagens. Gosto de ficar pensando, viajando nas coisas. Olhando pela janela, vi uma estrela cadente. Fazia muito tempo que eu não via uma. E nem mesmo assim soube fazer um pedido. Foi rápido demais. Pedi tantas coisas ao mesmo tempo que confundi a pobrezinha. A primeira coisa que pensei depois de me decidir por um único pedido foi que eu quero coisas demais. E quero todas as mesmo tempo. Se é bom ou ruim, isso não sei. Mas daí veio o link pras coisas que neste ano (sim, 2oo7) não vou deixar que se repitam. E pras coisas que quero de sobra em 2007.

Eu sempre disse que não sei fazer listas. Elas se tornam intermináveis. Meus pedidos de ano-novo são listas. Odeio ter que ficar escolhendo algumas coisas e excluindo outras. Então opto por palavras, assim, bem genéricas, que me fazem bem. O essencial. O que vem a partir daí é surpresa. Saúde, amor, música e criatividade. Um pouco mais do que isso, um pouco menos, trocando letras, é por aí mesmo que tudo fica. Eu decido.

* Talvez também um pouco de pop art pra colorir. Mais arte, menos vento na cabeça.

* Caderno de anotações e caneta pra sempre na bolsa

* "Alôooo, já to indooo... só tenho que dar um jeitinho aqui bem rápido". O show é ótimo. Em janeiro tem outro.

* Hoje é aniversário do meu pai. Liguei pra ele, mas queria estar mais perto. Meio século de vida é a idade dele agora. A minha ainda não chegou à metade nem de cinqüenta, "mas tu chega lá, logo, logo", diz ele. "O tempo passa rápido".

sexta-feira, dezembro 22, 2006


Ensina-me a usar as palavras
Na estrada dos versos vagos
Troca ponto, muda o sentido
Vê o gesto? Traz tua vontade
Aprende a ler olhares mudos
Brinca com instantes triviais

Senta calado. Espera. Assiste
à sede passar por ti sorrindo
Sente o gosto. Engole áspero
Então deixa agora escorrer a
gota salgada do canto do olho
Palhaço de sorriso entediado
A graça não demora a passar

Quero um pedaço do globo
de cera e a chama acessa
Quero o teto a balançar
na ponta dos pés
Pinta a noite de
um sossego
duradouro
Que seja de
fantasias e deleites,
espontâneos, propositais, e de
uma penumbra que traga personalidade
e valsas-cores às sombras que a parede há de abrigar.

Luminária

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Três notícias boas

1 * Estou em férias da faculdade

2 * Meu estágio na rádio da UFRGS está confirmado a partir de janeiro. Uhu!

3 * É oficial. O Smashing Pumpkins está gravando um álbum novo e em 2007 volta a fazer shows. O disco vai ser o primeiro desde 2000, ano em que a banda se separou.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Pensamentos em curva


Criei entrelaçando letra por letra
Amarrei bem as pontas e nasceu já como um nó
Apertei até a garganta. Nada aconteceu
No fim, virou círculo vicioso, espiral.
O Infinito preso em uma gaveta
E a chave, perdi.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

But it's 5!


Architecture in Helsinki

Recém-chegado na lista de links: Papel Continuo
O Ed diz, ali embaixo, que o Usina é tudo, menos uma usina do caos. Verdade, se eu levar em consideração que tenho tentado manter essa página o mais organizada possível. Contradigo-me, portanto. O caos não tem sido muito bem-vindo por aqui. Mas acho, na verdade, que esse espaço anda meio abandonado. Tem links misturados, não tem um espaço específico pra literatura, o que acho uma falha minha, já que boa parte dos links são pra páginas dessa área. Também andei encontrando uns blogs ali do lado que já foram desativados... Tem palavras velhas e idéias jogadas ao vento. Talvez seja uma boa sair do Blogger, que não anda me agradando muito. Espero férias, mesmo. Espero logo poder organizar minhas duas casas. Essa, virtual, e a outra, home sweet home. Preciso novamente fazer uma faxina geral no meu "Favoritos" também. Quero organizar meu material da faculdade, que no meio de toda essa bagunça, ficou desordenada no tempo e no espaço. Todo o material de cinema, roteiros, coisas inacabadas, textos que eu nem consegui ler, está misturado com material de fotografia, textos de literatura, revistas. Sabe? Coisas de que eu gosto muitíssimo. Mas tá uma bagunça... Quando eu criei esse blog fui meio teimosa; dizia pros meus botões que eu não postaria aqui coisas muito pessoais. Esse blog não deveria ser um diário, muito menos o muro das lamentações. No fim, acabo pensando que talvez seja, sim, meu diário. É meu espaço. Não porque nele descrevo detalhadamente os meus dias, mas descrevo partes pequenas deles, e as que mais me agradam. Assunto muito interessante, por sinal, esse sobre a contextualização de blogs, alguma tentativa de definição, mundo virtual x mundo real, ego e voyeurismo na blogosfera. Papo para um próximo post, com certeza.

* Falando em cotidiano, hoje ligaram de novo querendo pedir música. Dessa vez eu não sacaneei; disse logo que não era da rádio. Até porque era uma senhora muito simpática.

Espero também nas próximas semanas rever alguns amigos. Alguns até tenho visto com freqüência, mas SÓ visto. Não tenho curtido meus amigos do jeito que gosto. E o jeito que gosto é o menos burocrático possível. É deitada na grama da Redenção, ou em bons papos em qualquer bar, café, meio-fio, seja lá o que for, é o jeito que bons amigos merecem.

* Cinema. Ah, o cinema. Sim! Voltarei a freqüentar as salas de cinema. Coisa boa!

Enfim, a partir da semana que vem me considero oficialmente em férias da faculdade. Engraçado é que um pouco antes de vir escrever aqui eu já estava montando minha grade de horários para o próximo semestre...

* Planos para janeiro e/ou fevereiro incluem um estágio voluntário na Rádio da Universidade. Pra quem odiava radiojornalismo quando começou a faculdade, nada mal.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Sweet Voice

Versos bonitos

(...) Vai acontecer trapalhada, caipirinha, açúcar por sal.
Vai acontecer uma mosca sem asa, reumatismo, mais amizade, vai acontecer um tufão.
Vai acontecer cocaína em farmácia no ano 2010.
Vai acontecer ainda formiga, leitão, senha pública, minha filha querida!, enchente. Desânimo, avassaladora paixão.
Acontecer de cachorro casar...
Vai acontecer a respiração. (...)


Paulo Ribeiro, no Vitrola dos Ausentes

Por que as coincidências? Não sei. Não me pergunte coisas que não tenham resposta. Assim tu vais gerar o silêncio. Outro dia o acaso não deixou que eu perdesse no ônibus um broche que eu adoro. Hoje foi um verso que li num blog, e exatamente no mesmo momento o verso tocou em uma música na rádio. Salvou uma memória legal que eu tinha. Trouxe-a pra perto. Há alguns anos achei um papel com um nome em um livro na biblioteca da escola. Foi no terceiro ano, ainda. O livro era Os Ratos, do Dyonélio Machado, mas isso não tem muita importância. Não sei. Diante do que aconteceu depois... Alguns dias depois conheci a pessoa dona do nome no papelzinho. Foi por acaso. Ela se tornou muito presente em todos os meus dias a partir dali, por bons anos. Podem dizer que é mentira. Até entendo se não acreditarem. Já aconteceu de eu estar pensando em uma pessoa que não via há bastante tempo e ela aparecer, de repente. Mas isso é comum, não é? Pode ser. Vive acontecendo com a minha irmã. Comigo faz tempo que não acontece. Conheço uma guria que também se chama Cristiana. Conheci ela no cursinho, em 2001. Chamou a minha atenção porque ela usava um anel igual ao meu. E ele não era muito comum. Era um anel de prata, com pedrinhas verdes, que eu ganhei dos meus pais quando fiz 15 anos. E esse anel, até meu aniversário, havia sido da minha mãe, que por sua vez, ganhou-o do meu pai no dia em que eu nasci. Comentei com a menina sobre o anel. E ela me disse que havia ganho dos pais dela, de aniversário. Volta e meia eu encontro essa guria pela faculdade. Pensar uma coisa e outra pessoa dizê-la, também acontece algumas vezes. Na terça-feira uma amiga me lembrou de algo que eu já quase perdia na memória. Foi no início da faculdade. Eu ia apresentar um trabalho com ela e quando eu cheguei na aula, de manhã, ela vestia roupas iguais às minhas. Calças jeans, blusão branco, jaqueta vermelha, botas. E pra completar, brincos de argola prateados!! Ninguém combinou nada. Pior foi parecer banana de pijama na hora de apresentar o trabalho. Toda a sala achou que havíamos combinado. Ela é loira, de olhos azuis. Já cansei de usar a carteirinha dela pra pegar ônibus, e o cobrador nunca percebeu. Até hoje ele deve achar que eu me chamo Mariane. Também já acreditaram que éramos irmãs, e mantivemos a mentira numa boa. Já pensei com saudades numa pessoa e recebi uma mensagem dela no mesmo minuto. Outras vezes percebi coincidências e não comentei, porque por ser tão coincidente pareceria forçado. Dizer as mesmas coisas na mesma hora também acho legal. Vai saber. Eu não tenho explicação. Só acho que coincidências aproximam as pessoas. O surpreendente sempre é uma ótima desculpa pra puxar assunto. E hoje, fazendo um apanhado geral, penso que algumas das melhores pessoas que encontrei por aí surgiram de coincidências.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Hoje eu vou ser sacana

Cansei. O nome da rádio é Sara Brasil (deve ser essa. Me dei ao trabalho de procurar a dita). E o telefone de lá deve ter um número parecido com o daqui de casa. Não sei que tipo de engano acontece, mas volta e meia, alguém liga pensando que é da rádio. Pior... O nome da minha irmã é Sara...

Criatura perdida: Alô? É da Sara?
Cris: Sim
Criatura perdida: Ah, Queria pedir uma música
Cris: Aiii, não! Não é da Rádio!

Tá. Hoje a rádio deve ter lançado alguma promoção, e um monte de gente acabava ligando pra cá. Depois na terceira ligação, resolvi me divertir.

Criatura totalmente perdida: _ Oi! É da Rádio?
Cris: ...

(a lâmpada pisca... Idéia. Hmm)

Cris: _ Sim
Ctp: _ Eu queria pedir uma música
Cris: _ Claro, qual o nome dela?
Ctp: _ Aiii, eu não sei direito. É um funk... Mas eu não sei o nome...
Cris: _Querida, sem o nome da música eu não tenho como te ajudar...
Ctp: _ Mas eu sei ela, posso cantar. Tem uma parte assim, ó... Vê se tu conhece...

Juro!! A guria começou a cantar o funk pra mim no telefone! Não me aguentei. Tapei um pouquinho o telefone enquanto ela cantava e me matei rindo. Deixei a louca terminar de cantar e voltei.

Cris ("tri entendida do assunto"): _ Ahhhh!! Sei qual é a música, sim.
Ctp (aliviada): _ Ai, que bom... Eu não conseguia lembrar
Cris: _ Não te preocupa, ela vai tocar no próximo bloco
Ctp: _ E o CD? Eu já to concorrendo ao CD também?
Cris: _ Tá sim.
Ctp: _ Mas eu não tenho que deixar meu telefone?
Cris: _ Não, não precisa... A rádio já tem teu nome no cadastro
Ctp: _ Ahhh bom... Então, tá... Brigada!
Cris: _ De nada. A Sara Brasil agradece a tua ligação...

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Links

* Gosta de sebos: Estante Virtual
* Gosta de pôsteres: AllPosters.com

EXPO H.


O designer gráfico Henry Lichtmann mostra seus trabalhos pela primeira vez. A exposição acontece a partir de amanhã, dia 7, na Galeria Mundo Arte Global. Passa lá.

terça-feira, dezembro 05, 2006

NUNCA vai ser demais

Tanta gente já falou, falou, e repetiu. Eu vou ser mais uma a fazer isso. Cuidado no trânsito nunca vai ser exagero. Ser inconseqüente na direção NUNCA vai significar risco somente pra UMA VIDA, não importa se tu estás sozinho ou com mais gente no carro. Não corre. Não participa de rachas. Respeita a sinalização. E, por favor, aquela velha e VERDADEIRA história: SE BEBEU, NÃO DIRIJA. SE VAI DIRIGIR, NÃO BEBA. Gente demais já perdeu a vida de forma estúpida e por causa de falta de cuidado no trânsito. E gente demais já chorou por ter perdido alguém de quem gosta dessa forma. Não queira ser o PRÓXIMO em nenhum dos casos.

sábado, dezembro 02, 2006

Eu? (meio e fim)

Ok. Vamos lá. Entrem, tirem os tênis e fiquem à vontade... Essa história precisa de um fim. Da última vez em que eu escrevi nesse espaço havia uma criaturinha minúscula deitada no meu colchão, e presa nas minhas unhas. A miniatura. Ela continua lá...
* * *
Quando encostei minha mão do colchão, pude ver que a miniatura, fraca, já, deixou o corpo amolecer. Sentiu o tecido do lençol massagear as costas levemente e deu-se uns minutos, talvez de dor, talvez de NEUTRALIDADE, não sei. Mas por alguns minutos, ela parecia morta.
* * *
Morta de olhos abertos e respiração vagarosa e um olhar fixo me encava sem expressão e nada no pensamento e um silêncio no quarto e aquela coisa de ficar sem graça porque alguém te encara e tu não sabe o que fazer se olha pro lado se olha nos olhos se dá uma risada porque não era hora de dar risada afinal ali alguém devia sentir dor e isso me deixava encabulada e ao mesmo tempo me igualava à miniatura ela devia ter HUMANIDADE e sentimento que sente na PELE e nas sobrancelhas e no riso que vem no cantinho da boca mas ela não ria ficava muda e me envergonhava por conseguir me encarar e eu não conseguir manter uma linha pontilhada por onde minha visão caminhasse até a dela
* * *
Comecei a empurrar de leve aquele corpinho que estava soterrado nas minhas unhas. E ele mal se movia, sabe? Dor, não sei se sentia, mas fechou os olhos e tentou ajudar. Aos poucos, e não sem pena, fui puxando pela cinturinha e, de tempos em tempos, dava uma parada pra não ser uma coisa tão BRUSCA e traumatizante. Fui descobrindo a delicadeza nos meus próprios gestos. “Vamos lá, de novo, só mais um pouquinho e tu vai estar livre de tudo isso. Faz um esforço e me ajuda a te ajudar.”
O último puxão foi mais severo, e acompanhado de um som abafado, de alguém que segura o grito, e que guarda a sensação de dor pra começar a aproveitar a liberdade novamente. Pronto. Agora EU era UMA, e ELA era OUTRA novamente. E nossas mãos não se tocavam mais.
A miniatura ficou ali, deitadinha por um tempo ainda na minha cama. Uma pontinha de sangue manchou o lençol e vi que alguém precisava de um curativo. Recortei em mil pedacinhos um esparadrapo, e o ALGODÃO nem sentiu a falta dos fios que foram removidos do rolo. Eis um curativo, que, embora envolvesse uma margem muito maior do que o local machucado, ajudou (gosto de pensar que). Novamente minha displicência, involuntária, quem sabe, em cuidar de algo tão pequeno.
* * *
Na verdade era a primeira vez que eu realmente via essa minha falta de tato como um defeito. Nunca fui de ter muitos cuidados com as pessoas. Sempre vivi só, e de mim nunca ninguém precisou cuidar muito. Era simples, sabe, viver. Era o que eu achava. Que isso de tocar, e sentir, passava despercebido. Eu era uma pessoa crua mesmo, que SENTIA quando sentia calor, que SENTIA quando sentia cócega, que SENTIA quando sentia o gelo derreter na mão, ou quando a gaveta caía sobre o dedão do pé. Era isso que eu sentia. Mas nunca senti um beijo de leve na testa ou um dedo que passeia sem rumo pelo braço, quase sem ser notado. Chego à conclusão de que talvez eu nunca tenha parado pra pensar nessas coisas. Comodismo, talvez. Mas todo esse processo de salvar uma criatura tão pequena revirou na minha cabeça tantos conceitos. Inclusive o de ter cuidado com alguém além de mim.
* * *
A miniatura, depois de um dia tão agitado, pegou no sono. Deixei que dormisse, mas não me afastei do quarto. E se fugisse? E se caísse? E se MORRESSE? Fiquei observando por um tempo aquela vidinha esparramada na minha cama. Quando acordou, algumas GOTAS de leite foram o suficiente, e eu nem precisei comprar mais pão. E ela até umas palavrinhas soltou. Descobri que falava, e como adulta. E como adulta me agradeceu por ter sido gentil e ter tido cuidado. Ora, vejam só. Fiquei feliz.
Naquele dia não perguntei nada sobre a origem da miniatura, nem como ela havia parado ali. Se nasceu de mim, não sei. Por onde anda a família... Parece brincadeira, contando. Mas e se tivesse família? Não perguntei. Fui EGOÍSTA e resolvi desfrutar daquela companhia tão frágil e que me fazia sentir um pouco de poder, por ter alguém dependente de mim.

E assim foram os dias seguintes também. Com o tempo, fui me acostumando a acordar de manhã e olhar para o lado da minha cama. Ali eu havia montado uma casa, dessas de BONECAS, para a miniatura. Era ali que ela passava os seus dias de tédio, e geralmente no canto do corredor, entre a sala e o quarto da casinha, eu a encontrava sentada, a ler qualquer coisa, quando eu voltava do trabalho. Foi-se construindo uma relação de amizade, mas dessas de se olhar de longe, sem toques nem muitos abraços. Eu nunca me curaria dessa minha falta de sentidos, sei. Mas gostava da companhia daquele ser. Que talvez fosse eu.

Estranho eu nunca ter procurado uma explicação pra isso. Mas da mesma forma cômoda como aquele ser nunca me perguntou muito sobre a minha vida, eu também mantive uma curiosa distância. Éramos EU, e EU. EU grande, e EU pequena. EU dominante, e EU dominada.

Mas ela não me atrapalhava, e eu podia sentir que a casa não estava mais sozinha. Eu não era mais sozinha. Um dia cheguei em casa com um vaso de plantas e coloquei na janela. A casa precisava de verde, de COR, entende? A casa precisava respirar um pouco mais. E também não demorou muito pra que eu percebesse o bem que tudo aquilo estava me fazendo. O surpreendente havia feito meus dias menos INERTES.
Numa manhã acordei, olhei para a casa ali no chão, e as janelinhas estavam fechadas ainda, como de costume. Eu sempre acordava primeiro. Um depois do outro, levantei da minha cama. O trabalho me esperava. E no fim do dia, quando cheguei, percebi que as janelinhas continuavam fechadas, mas que na porta, tão pequena, havia um bilhete...
A AUSÊNCIA também é um sentido?

segunda-feira, novembro 13, 2006

Eu? (início...)

Foi com uma coceirinha na planta do meu pé que tudo começou. Assim, sem sentido mesmo, como todo o desenrolar da história.

Era uma cocegazinha corriqueira e banal. Deveria ser, pelo menos. Cocei. E nesse exato momento senti algo pequeno, talvez fino, mas frágil, ficar enroscado nas minhas unhas. Não só em uma, em duas. Um pedacinho da coisa estava preso debaixo da unha do dedo médio, e o restante dela, na unha do dedo vizinho. Trouxe a mão pra frente dos meus olhos, e tudo virou do avesso. Um arrepio subiu pela espinha e terminou nos pêlos do meu corpo. Era um serzinho. Não UM. Era EU, o serzinho. Uma criaturinha minúscula, e tinha cabelos! E pele, e orelhas, e dedinhos também. E o pior de tudo. Era exatamente igual a mim. Mas menor do que os meus dedos.

Era sonho... Certo que era sonho.
Não podia ser de verdade.
Não, não era sonho...
E eu nem tinha fumado nada, nem tinha tomado nada,
Eu nem tinha dormido!

A criaturinha, EU, sei lá quem, ficou ali, com os dedinhos presos debaixo das minhas unhas. Mania a minha de deixar as unhas compridas. Ela ficava ali, me olhando em súplicas. Era dor. Devia ser. Como eu ia saber?? Nunca tinha visto aquilo! Ela podia falar algo, mas não falava. Só ficava ali, se debatendo. Parecia uma formiga. Eu, pelo menos, falava. Se era minha cópia, deveria falar algo. Não sei de onde saiu, mas parecia ter nascido adulta já.
* * *
Eu era adulta, e a criaturinha também era... Isso me levava diretamente a outro pensamento. Se eu tenho mãe, a criaturinha deveria ter mãe também, e se eu tenho pai, a criaturinha também deveria ter, e eles certamente eram coisinhas pequenas assim, que nem ela. Quanto problema. Já imaginei um mundo cheio de criaturinhas, um micromundo, uma sociedade paralela de miniaturas móveis. Ia ser uma catástrofe, porque sendo menores, provavelmente as criaturinhas seriam dominadas por nós, seres humanos, originalmente humanos.

Tá. Chega. Por enquanto só vi um desses bichinhos. Então vamos pensar no singular e não no plural. Bem mais sensato pra chegar a alguma conclusão. Se é que ela existe...
* * *
A primeira coisa a fazer: livrar a coisinha das minhas unhas. Ela soltava gemidinhos agudos. Talvez estivesse chorando. Senti pena. Eu não gostava que sentissem pena de mim. Resolvi soltá-la logo. Mas era tão frágil. Eu nunca tive tato pra lidar com essas coisas que se quebram facilmente, ou que rasgam só com uma puxadinha. Encostei a mão em que a miniatura - vou chamá-la assim, daqui pra frente, depois arrumo um nome pra ela. O meu é que não vai ser. Encostei a mão em que a miniatura estava presa no meu colchão, e deixei que ela se encostasse nele também, pra ficar mais calma. Agora vinha a parte mais complicada...


(Eu volto logo, logo, para contar o resto)

domingo, novembro 05, 2006

Deitou e ficou ali, quietinho, enrolado no cobertor xadrez. Tentou fechar os olhos, mas achou melhor deixá-los abertos, para ver o momento em que ELES chegassem. Mexia as sobrancelhas, impaciente, tentando de alguma forma acomodá-las. Sempre pensou que sobrancelhas eram coisas sem utilidade nenhuma. Não tinham FUNÇÃO, nem protegiam contra nada. Estavam apenas ali, acima dos olhos, esses sim, essenciais. Mas SOBRANCELHAS? Para ele não fazia diferença tê-las ou não. Era apenas mais um peso que os olhos carregavam. Tinha o rosto inerte mesmo, sem expressão, sem grandes surpresas.

Os dedinhos tateavam a borda do cobertor, como se tentassem identificar alguma IMPERFEIÇÃO, algum fio solto, algo em que pudesse prender a atenção. Mas nada. A ansiedade tomava conta dos ouvidos e das idéias. Começou a roçar os pés um no outro, fazendo um SUTIL barulho de pele ÁSPERA e granulosa. Logo parou. Preferia o silêncio do quarto, com todos os seus microbarulhos. A madeira estalando. O vento criando vozes tristes e batendo na janela. O cupim gulosamente corroendo os móveis. E o silêncio.

Resolveu mudar de posição. Deitou-se de lado, com o olhar diretamente para a porta. Não agüentava mais esperar que ELES dessem algum sinal de vida. Não gostava de dormir sozinho. Encolheu as pernas, juntando os joelhos e abraçou o travesseiro. Fechou os olhos por um segundo, voltando a abrí-los logo em seguida. Definitivamente, queria vê-los quando chegassem. Sentir a forma, descobrir se tinham CHEIRO, se viriam vestidos ou despidos de pudores e CORES. Se ainda lembravam do passado. Desejava que não. Talvez lhe trouxessem chocolate. Não sentia o GOSTO doce disso há tanto tempo. Queria saber se tinham idade e tempo de vida delimitado também, porque sempre ouvia as pessoas dizerem que eles não duravam muito.

De repente, viu a porta abrir levemente. Não tinha certeza. Devia ser a ansiedade. Achou que estivesse vendo coisas. Talvez tenha deixado alguma janela aberta, e o vento esteja empurrando a porta. Não sabia se continuava olhando, se fechava os olhos. Na DÚVIDA, não os fechou. Queria ver! As PUPILAS dilatavam-se na escuridão do quarto, tentando identificar algo.

Ficou calmo e respirou fundo. Agora tinha CERTEZA. Eles estavam por perto. A porta abriu-se levemente, sem fazer ruído, formando uma pequena fenda por onde um rato poderia passar com sobra de ESPAÇO. Não precisavam de mais do que isso. Não via nada, embora olhasse fixamente para a porta. Forçava a visão, mas de nada adiantava. Só que podia sentir a presença deles. Sabia que estavam ali. Sentiu o corpo AMOLECER, aos poucos. E os músculos tornarem-se menos RÍGIDOS e sem força. Enfim, entregou-se. Fechou os olhos, e deixou que tomassem conta do resto. Efêmeros, assim como as pessoas diziam, e sem fazer grandes escândalos, os sonhos finalmente chegaram.

terça-feira, outubro 31, 2006


Seres que não são daqui. Sorren

domingo, outubro 29, 2006

Saudade não se apaga com tinta

Li num muro, achei bonito, e anotei. Passei pelo mesmo lugar dias depois e não havia mais nada. Alguém passou tinta por cima... Hoje encontrei o papelzinho com as frases, já meio amassado, na minha mochila:

"Vende-se um apartamento
no coração da cidade
A preço de ocasião
por motivo de saudade..."

sexta-feira, outubro 27, 2006

Um dia eu viro criatura concretista

Vou. É que a vontade é de fugir de cronogramas,
E de espaços que não tenham saída só
"Os dois são claustrofóbicos", diz
Talvez fazer alguma coisa
que já não tenha sido
minimamente
planejada
basta
sim
.
.
Vai
Saber se
Basta mesmo
Era pra ser impulso.
"Não importa o resultado".
Já não é mais indiferente, pois
"avisa que é de se entregar o viver"
Canta lá longe o tio mambembe, descabelado.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Alguém passou O Rei do Rock pra trás

A Forbes acaba de divulgar a lista das 13 celebridades mortas que mais geram lucros aos seus herdeiros. Segundo a classificação anual feita pela revista, Kurt Cobain, ex-líder do Nirvana, está no topo, desbancando Elvis Presley. Uma das razões para a queda do Rei do Rock para a segunda posição foi a venda de 25% dos direitos sobre as canções de Cobain para uma gravadora, por parte de sua viúva, Courtney Love. Entre outubro de 2005 e outubro de 2006, Kurt Cobain gerou 50 milhões de dólares, enquanto os rendimentos obtidos em nome de Elvis ficaram em torno dos 42 milhões de dólares. Além disso, o Nirvana vendeu 1,1 milhão de Cds nos últimos doze meses.

A lista dos 13:

1. Kurt Cobain - US$ 50 milhões
2. Elvis Presley - US$ 42 milhões
3. Charles Schulz - US$ 35 milhões
4. John Lennon - US$ 24 milhões
5. Albert Einstein - US$ 20 milhões
6. Andy Warhol - US$ 19 milhões
7. Theodor Geisel - US$ 10 milhões
8. Ray Charles - US$ 10 milhões
9. Marilyn Monroe - US$ 8 milhões
10. Johnny Cash - US$ 8 milhões
11. J.R.R. Tolkien - US$ 7 milhões
12. George Harrison - US$ 7 milhões
13. Bob Marley - US$ 7 milhões

Ainda:
- Charles Schulz , em 3º na lista, é o desenhista americano criador do Snoopy
- Theodor Geisel , em 7º, criador das histórias infantis Dr.Seuss

Curioso:
O título de Rei do Rock n' Roll é uma marca registrada pela Elvis Presley Enterprises e só pode ser usado para se referir a Elvis Presley.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Me interessou. Vi na Bravo! desse mês.

domingo, outubro 22, 2006

Cartas

De amor ou de amizade
De mãe, de pai, de irmão
Podem ser longas ou curtas
Não importa a quantidade de caracteres
Nem se as frases estão em ordem direta
Podem ser cheias de vírgulas e reticências
Prefiro, em vez de pontos finais
Mas se for muito necessário, melhor usá-los
Não abuse de apostos explicativos
Em excesso, eles confundem
E eu digo cartas
Mas também podem ser recadinhos
Desses que se deixa no ímã de geladeira
No bolso da mochila
Embaixo do travesseiro
Ou no espelho do banheiro
Com um "boa dia" escrito com pressa
E um "volto para o almoço" escrito com vontade
A letra não precisa ser arredondada
A da minha primeira professora de português não era
Pode ser meio deitada, assim, meio jogada
Mas isso também não é o mais importante
Acho bonito se for escrito à mão
Indica que nada foi premeditado
Combina mais com imprevisibilidade
E com um pensamento
Que vem sem ser chamado,
Só porque o sentimento existe mesmo
O papel pode ser o que estiver mais próximo
Se a pressa for tamanha
Pode escrever no bloquinho
Que fica ao lado do telefone
Mas também pode ser
Numa folha amarelada pelo tempo
E não precisa encher de carinhas e desenhos
Prefiro que enfeites com palavras e lucidez
E não te esqueças de assinar
Não é necessário colocar sobrenome
Que fica muito impessoal
Não é o sobrenome que faz
Uma pessoa ser única mesmo
E se não quiseres usar o primeiro nome
Aquele de registro, burocrático,
Jamais vou te julgar por isso
Usa o apelido, que é tão teu
E tão meu

quinta-feira, outubro 19, 2006


Filipe Catto. Achei as músicas do cara pela internet. Muito talentoso. Ele se apresenta amanhã (20/10) no Teatro de Arena. Às 20h. R$10.

Glory Box, do Portishead, ficou muito boa na voz dele.

quarta-feira, outubro 18, 2006

terça-feira, outubro 17, 2006

Cineclube da Filosofia

domingo, outubro 15, 2006

De onde vêm os hábitos

Da minha infância, uma das claras lembranças que tenho é o fundo do quintal da casa da minha avó. Um quintal enorme, todo coberto por gramado. Quando aconteciam aquelas reuniões de família, eu sempre dava um jeitinho de fugir dos olhos de todos e ir lá pro fundo. Sentava em uma pedra, ao pé de uma árvore bem alta, não me lembro de quê, exatamente. Talvez de abacate. É uma boa fruta. Gosto da cor dela. Eu sentava ali e ficava um bom tempo quietinha, ouvindo de longe a conversa dos adultos. E o silêncio que fazia nos intervalos delas. A parte de que mais gostava era quando minha mãe ficava quieta por uns instantes e, de repente, soltava a pergunta pra quem soubesse responder: "Cadê a Cristiana?". Eu era uma anti-social assumida, obviamente. Mas eu gostava de ficar ali, no meu mundo. Quando percebia, estava lá minha mãe me chamando pra dentro de casa. Eu achava graça. Acho que eu fazia isso justamente pra chamar a atenção dela. Adorava quando ela aparecia lá, ao pé daquela árvore, que hoje nem considero assim tão alta, pra me pegar pela mão e me levar pra dentro de casa. Até hoje o fundo do quintal da casa da minha avó me fascina. Adoro.

sábado, outubro 14, 2006

Veio pra ficar

sexta-feira, outubro 13, 2006

13

Tarde ensolarada, tipicamente primaveril. Passarinhos cantando. Borboletas efusivas. Brisa suave. Ramos e folhas de árvores balançando. E um monte de palavras batidas... Tudo muito caricato. Precisa mesmo de uma sexta-feira 13 pra quebrar o bucolismo.

domingo, outubro 08, 2006

Auto-retrato

What's really, really going on? diz:
aqui tá nublado...
Just like sugar and tangerines diz:
to com saudades...
Just like sugar and tangerines diz:
ontem choveu o dia inteiro
What's really, really going on? diz:
hoje, foi aqui...
What's really, really going on? diz:
a chuva e a saudade...

terça-feira, outubro 03, 2006

Nouvelle Vague

* Presta atenção nas versões de The Killing Moon (Echo and the Bunnymen), A Forest (The Cure), Love will tear us apart (Joy Division) e Heart of Glass (Blondie). Ficou muito legal, mesmo. Mas eu simplesmente não consigo cantar essas duas últimas no ritmo proposto pelo Nouvelle Vague. Quando vejo, estou cantando a original...

domingo, outubro 01, 2006


Muito cuidado quando fores
sussurrar teus pensamentos
Alguém pode ouvir

Divã da Gata

sexta-feira, setembro 29, 2006

A perfeição não me agrada

Não acho que eu deva sempre ter uma resposta pronta pra tudo, nem uma opinião formada em relação a tudo. Sou algumas certezas e muitas dúvidas. Antes isso me incomodava, e muito. As dúvidas sempre pareciam bem maiores e mais urgentes do que as coisas que eu tinha como certas. Já não dou mais tanta importância a isso. Estou aprendendo a usar a meu favor essa minha mania de desconfiar de tudo, e questionar o que sinto, o que leio, o que vejo, e o que acho que vejo. Desconfio da perfeição. Idéias perfeitas não existem. Se existissem, não haveria evolução. Pessoas perfeitas não existem. Se existissem, seriam monótonas. Flores perfeitas não existem. Se existissem, seriam triviais.

Odeio estas palavras: inércia, monotonia, fixo, imóvel, e por aí vai. Todas elas estão ligadas à perfeição. Tudo que é perfeito é imutável. Permanece estático. Não evolui, nem regride. O termo perfeição é facilmente substituível. Flores belas existem. Pessoas interessantes existem, trabalhos competentes existem, idéias existem de todas as formas, e evoluem. Falar que algo é perfeito é abusar da exatidão. É estancar qualquer possibilidade de continuidade ou transformação. Um ponto-final. E definitivamente, perfeição é um termo subjetivo demais pra ser tratado com tanta lógica. Não é à toa que sempre uso a expressão “Perfeito!” sempre que algo não acontece da maneira que eu gostaria. Não gosto dessa palavra. O caráter de imutabilidade que ela atribui às coisas a que se refere não me agrada nem um pouco.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Velinhas

Além do Ique, o aniversariante de hoje é... O Usinaaa! Este blog está completando um aninho. Menino novo, ainda : )

Diálogos não começam com títulos

Eu ia arrancando com calma todos os pedacinhos de grama que encontrava. Um ao lado do outro. Primeiro esse, depois a folha do lado, e a seguinte. E quando esse exercício de completo ócio me cansou, resolvi deitar e olhar para o céu. A Redenção tem dessas coisas. E não que a tarde pudesse ser assim tão preguiçosa. Muito mais preguiçosa era eu, que teria uma semana cheia de provas e trabalhos a entregar. E daí? E daí que eu me dei todo o direito do mundo de sentar um pouquinho ali e ficar vagando nas minhas idéias. Ou não, também. Ou ficar só, ali, ou somente ali. Só ficar ali.

Até vi que tinha alguém se aproximando, mas tanta gente passa ao teu lado num parque... Ele parou na minha frente. Era um dos meus melhores amigos. Me deu um beijo e sentou ali a minha direita. Abriu a mochila, pegou um livro e começou a ler. Isso é fantástico. Tu está ali, e não precisa falar nada. Só ficar ali curtindo o dia bonito. Não que eu encontrasse meu amigo sempre, mas nossa amizade é assim, meio estranha. Eu digo que o livro dele é em braile. Não esse livro que ele estava lendo ali, naquela tarde. Tem uma história de um livro que ele estava escrevendo, um dia eu conto (se ele me permitir isso, e acho que ele não vai), mas eu sempre dizia que esse livro era em braile, porque eu não sei ler em braile. Meu amigo é imprevisível. Ilegível, assim como o livro dele. Quando eu acho que conheci um pouquinho mais dele, ele vem com uma idéia que derruba toda as minhas teorias. Aliás, hoje ele está de aniversário.

_ O que tu tá lendo?

_ Isso (e me mostrou a capa do livro). Preciso fazer uma resenha dele, e entregar essa semana.

(Cara de dúvida, a minha. Sobrancelha desconfiada. Ele faz engenharia...)

_ É pro curso de inglês. Mas pedi um livro curto. Expliquei pra professora que tô em época de provas e tenho pouco tempo pra ler. E tu?

_ Ah, tô tentando. Tenho uma prova de literatura na sexta. Mas é difícil ler aqui. E também tá mais interessante o material de cinema. Então acabei deixando de lado a matéria da prova e peguei isso sobre cinema e virtualidade, que foi o debate da aula passada.

_ É. Parece beem mais interessante mesmo...

_ Bá, cinema é tri porque não mexe só com um sentido teu. Literatura tu viaja, claro, mas é diferente. Na real são duas coisas diferentes. Enfim, cinema tem isso de tu poder abusar nas cores, ou não, também. Tem uma plasticidade, barulho, silêncio.... Enfim.

_ É, isso. E é muito mais profundo. Te influencia muito mais.

_ Tu já viu Dreams, do Akira Kurosawa? Cinema é isso. Tá ali. E música também. Sabe, música pra mim é tudo. Tem bandas que eu conheci por causa de filmes, e que são especiais pra mim por isso. Fazem eu me lembrar dos filmes, e os filmes me lembram da época em que eu assisti eles... Não é assim com literatura. Eu gosto muito, mas não é o mesmo sentimento. Não é tão temporal, assim, não tem tanta ligação com a minha memória como cinema... Aliás, é Tristania aquela banda que tu curte, né? Acho que vi no teu nick uma vez.

_ Aham, Tristania eu escuto bastante. É uma das minhas favoritas.

_ Não conheço. Mas eu vi algo sobre ela outro dia, acho que foi numa página, lá, e me lembrei de ti. Vou escutar hoje. Se eu gostar, te digo.

_ Se tu quiser conhecer, escuta também Lacuna Coil. Mas acho que tu vai gostar mais de The Gathering.

_ Ahhh sim, eu ouvi The Gathering outro dia, e curti. Te falei já, acho. Foi tu, até, quem me indicou. Eu ouvi vários dias seguidos. Incrível como música muda meu dia e meu humor.

_ Pra mim também. Eu tô toda hora ouvindo. Eu saio de casa, e deixo meu computador ligado, baixando um monte de coisas...

_ Outro dia eu tava no trabalho, tri concentrada ali, mas também no embalo do que eu tava ouvindo, e de repente tocou aquela My Girl, do Temptations, sabe? Aquela, do filme Meu Primeiro Amor

_ Hmmmm. Não lembro...

_ I've got sunshiiiiine on a cloooooudy daaay. Tan tantantantantantan

_ Ahhhhhh! sei sim, agora sei

_ Bah, muito engraçado, porque eu tava ali, centrada em xmls e tal, e quando começou essa música eu abri um sorrisão, assim, bem sem perceber, natural. Um sorriso voltado pro passado, porque lembrei da minha família, que foi com quem vi o filme. Foi tri. Meu colega me olhou e perguntou o que tinham me dito no msn, pra eu sorrir daquele jeito. Hahaha
(...)
_ Mas tu não quer ter filhos? Nunca? Como tu pode ter certeza de que nunca vai mudar de idéia?

_ Não, Cris. Eu nunca vou querer ter. Eu acho que eu não tenho capacidade pra ter um filho. Eu não saberia

_ Hahahahahahahha... Mas isso leva tão pouco tempo pra homens. Basta uns 10 minutinhos ali. E olhe lá, nem isso. Se for só com o objetivo de fazer um filho, mesmo

_ Criiiiiiis, tu entendeu! Hahaha

_ Hahaha... entendi. Tá, mas por que tu acha que não teria?

_ Sei lá, acho que eu não saberia criar um filho. Talvez eu não soubesse cuidar direito. Não sei.

_ Hmmmmmm. Pra mim também é estranho. Eu também já pensei assim, mas agora não mais. Sei lá, deve ser por que eu sou mulher, sabe? Aquilo de instinto materno. Deve ter uma idade em que, inevitavelmente, tu muda de idéia. Não que eu queira ter um filho agora. também acho que eu não saberia cuidar, agora. Mas sei que um dia quero ter. Quero saber como é.

_ Deve ser tri ruim, sabe. De alguma forma, tu vai ter que deixar tua vida de lado por outra pessoa. Não sei se eu faria isso.

_ Uma vez sonhei que eu tava grávida, e foi um dos melhores sonhos que eu já tive. Era uma sensação tão boa, algo como se fosse uma responsabilidade, mas não algo forçado, que me incomodasse, porque eu não era mais uma só. Tinha uma pessoinha bem menor e mais frágil ali dentro, que precisava de mim. Sei lá. Eu sei que eu passei a noite dormindo com a barriga pra cima, por medo de machucar a criança. Mas acordei tri calma. Não sei explicar... hahahahaha

_ Hahaha Sério?? Eu não sei. Não acho que eu vá mudar de idéia.

_ Mas é aquela coisa de fases, sabe. Um filho é meio que uma continuidade tua. É uma extensão da tua vida, pra quem tu vai passar o que tu sabe, e quem vai levar um pouco de ti. É uma forma bonitinha de ver isso, na real, mas tem lá sua verdade antropológica.
(...)
_ Acho que eu me vou. Talvez eu consiga estudar um pouco em casa ainda, antes do trabalho. Vou chegar, e ler um pouco. Tu vai agora?

_ Não, acho que vou ficar mais um pouco...

_ Então tá, vou indo... Já passei a tarde aqui.

_ Hmmmm, não, acho que vou contigo. Vamos só ficar aqui mais cinco minutinhos.

_ Daqui quatro minutos vou te lembrar que tu só tem mais um!

_ Siiiim, Criis
(...)

No caminho pra casa:

(...)

_ Eu não acho. Se eu fosse traduzir memories pra português, eu traduziria como lembranças. Eu sei que, ao pé da letra, não é. Mas pra mim faz muito mais sentido.

_ Pra mim não. Eu sempre leio memory nos livros, e na faculdade. E pra mim, memory é memória mesmo. Não é ligado à lembrança.

_ Deve ser por causa das nossas áreas de interesse mesmo. Por isso, se eu fosse traduzir memory, seria lembrança, e não memória. Lembrança é bonito em português, é nostálgico. Memória é um termo muito científico.

_ Bem isso. Eu tava tentando explicar, mas é o que tu disse. Nossas áreas são diferentes. É porque eu sou da engenharia e, pra mim, memória não tem a ver com lembrança.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Deu Saudade

Falkor, o dragão da sorte
Fui ao oftalmologista hoje (meus olhos vão muito bem, obrigada) e, enquanto aguardava na sala de espera, ouvi uma música que sempre me lembra do filme A História sem Fim, de Wolfgang Petersen (ele também dirigiu Poseidon, Tróia e Mar em Fúria) e me deu saudade das tardes em que eu me negava a sair pra brincar com meus amigos pra ficar assistindo à versão dublada da Globo. Pra mim, e pra grande parte do pessoal da minha idade, esse filme ficou na memória.

A História sem Fim é inspirado em um livro (de mesmo nome) de Michael Ended, e foi lançado em 1979. Logo se tornou best-seller na Alemanha e nos Estados Unidos, e foi traduzido para mais de 30 línguas. No Brasil pode ser encontrado pela editora Martins Fontes. Em 1984, virou filme. Mas na real o que virou filme foi só um pedaço da história, porque o livro é dividido em duas partes. O que o filme conta é a primeira parte do livro. A diferença é que o final do filme foi adaptado e não é igual ao do livro.

E, A PARTIR DAQUI, SE TU NÃO QUISERES SABER O FINAL, MELHOR NÃO LER. DEPOIS NÃO DIGA QUE EU NÃO AVISEI : )

No final do filme, Bastian volta para a cidade na garupa de Falkor, para espantar seus "amigos". No livro, a primeira parte termina com Bastian ficando em Fantasia (a cidade destruída, lembra?) para reconstruí-la. Aí começa a segunda parte do livro. Perfeito pra quem, como eu, odiou a seqüência do filme, História sem Fim II.